[r]enovar
Enquanto fazia a minha curta (que por vezes parece que não acaba) viagem de metro de regresso a casa, de mais um dia de trabalho cansativo dei por mim a reparar nos óculos da pessoa que acabara de se sentar à minha frente. É estranho, mas nos transportes acabamos sempre por olhar uns para os outros, mesmo sem a intensão de realmente observar. A verdade é que o olhar triste dela deixou-me um pouco mais angustiada do que aquilo que já estava. Olhei para ela mais uma vez e dei por mim a pensar que ela deveria ter tido uma vida complicada. Tinha as mãos já com a pele gasta e cansada. Provavelmente pode ter trabalhado como dosméstica. E divaguei. E olhei para os restantes. E o modo como se comportavam no metro. As posturas, os olhares, os sorrisos, os gestos. Observei desta vez.
O metro chegou à paragem e saí. Foi então que pensei no último ano, nos últimos meses. Flashei alguns momentos importantes (bons ou menos bons) que marcaram o meu tempo e concentrei-me nos últimos dias. Nas pessoas que me rodeiam. Nas novas pessoas que entraram na minha vida. Nos novos sentires. Nas novas dúvidas e finalmente nas novas certezas.
Alguém, me [re]despertou para as descobertas da vida. A aventura do dia-a-dia (até mesmo da segunda feira) ahah. Esse despertar, por diversos motivos, foi muito completo e replecto de sensações. No final da noite, ao deitar, o cansaço e a paz invadiam.
Algo novo havia começado em mim. Outro algo novo.
E hoje, na saída do metro, concentrei-me em respirar fundo, e obrigar-me a sentir de novo essa paz. Fechei os olhos, inspirei, expirei. Abri os olhos, e no céu cinzento que rondou todo o meu dia (dentro de quatro paredes ou fora), o sol mostrou os ares da sua graça.
Outro algo novo [re]começava em mim.


Comentários
Agora foi você quem tirou um sorriso meu. Gosto desta tua sensibilidade mágica. Beijo!