O que é ser Alentejano?



"Lar é onde está o teu coração".  É um cliché babadão mas muito real, porém para mim não chega. Não é apenas onde está o meu coração.
Como todos sabem eu tenho uma ligação para lá de forte com as minhas origens. Tenho lá o meu coração, é verdade. Mas tenho lá tanto mais de mim. 
Não é por acaso que quem "prova" um pouco das nossas alentejanices fica automaticamente viciado e quer sempre voltar. Ou mesmo que não volte, não esquece.
Não é qualquer um que é alentejano de coração. Podes nascer lá, crescer lá ou viver toda uma vida lá, mas tens que ter o teu coração ali, a tua alma naquelas ruas e o grande amor da tua vida tem de ser a tua família, os teus amigos e tudo o que viveste naqueles trilhos imensos. 
A verdade é que não há nada como aquilo que é nosso, aquilo que conhecemos desde que nascemos e aquilo que crescemos a conhecer enquanto nos formámos gente. 
Podes viajar pelo mundo, conhecer diferentes culturas e conhecer pessoas de diversos locais, mas não há nada como te sentares à mesa com os teus. Uma mesa pesada, longa, cheia de sorrisos, uma imensidão de comida (como nós gostamos) que teima em dar para 5 refeições seguidas, "comer" delicioso e carregado de vontade de festa e convívio. Não há nada como um bom lume aceso, como cantares sentidos (uns mais afinados que outros) e copos cheios de vinho e uma conversa sem fim pela noite fora.


E o pôr do sol? Esqueçam. Há pores do sol lindos, no mar, na montanha, atrás de uma ponte... Mas num campo florido e sem fim? É o mais bonito. Ele é verde, amarelo, azul, laranja, rosa, são tonalidades infinitas que se perdem pela imensidão de tudo aquilo que é tão nosso. 
Somos rurais, somos. Somos do campo, com orgulho. Somos pessoas que preferem fazer uns ovos mexidos e assar um chouriço ao lume, do que ir comer ao mais recente restaurante do Olivier, e somos imensamente felizes assim.
Não precisamos de muito mais que uma toalha estendida pelo campo fora, uma navalha, um pedaço de pão e outro de queijo. Não precisamos de muito mais que uma meia dúzia de amigos que acabam sempre por ser 30, ou de um jantar familiar mais intimista que se estende aos 25. Lanchinhos de 8 horas, almoços que terminam pela meia noite, ou então um café que se estende em 5 garrafas de vinho ou umas quantas grades de minis (sim minis, e minis Sagres, que um Alentejano que se preze é o que bebe!!) E a réplica disto quando estamos todos pela grande cidade? Depois de 3 telefonemas e agendadas as necessárias deslocações e o horário, o ajuntamento ocorre e a mesa fica tão cheia de comida como de alegria e o plano para o fim de semana passa a ser apenas e só Alentejanices!!

Não é por isto que, como bons alentejanos que somos, acabamos por ser como toda a gente aclama, "os mais lentos", mas é por isto que somos os mais felizes.

Que orgulho em ser do campo, que orgulho em ser do interior. Que orgulho em ser Alentejana!!!




Comentários

Isbela Velez disse…
Ser alentejano é ser genuíno, no sentir, no pensar, é ser inteiro, defender a sua terra, como se fosse a coisa mais importante do Mundo.É no fundo pugnar pelo colectivo como fosse o seu interesse pessoal, é ser um grão de areia e sentir-se dono do Universo. Meu Alentejo, meu Amor! Que hajam mais e melhores alentejanos, porque eles têm muito para dar se quiserem, e o Universo lhes der oportunidade. A cultura portuguesa deve muito aos alentejanos, na música, na literatura, na cerâmica de Flor da Rosa, Redondo e Viana do Alentejo, no saber bem feito de mãos, na cestaria, no barro de Nisa e Estremoz, na tapeçaria de Arraiolos, no tear mantas do Redondo, no linho, no algodão, nos finos bordados e rendas de Nisa e arredores. Os chocalhos do rebanho feitos no Baixo Alentejo, o "Cante alentejano" duma sonoridade ímpar, que nos embala e faz crescer no Mundo, dando-nos Alma e Coração. As cantigas da nossa terra ao desafio, e sob mote, feitas na hora repentinas....
Outras tarefas do relax do alentejano, com a navalha e materiais como a cortiça e a madeira. Concerteza me esqueci de algo, que espero me lembrem de ofícios antigos ainda existentes em algumas povoações.Viva o Alentejo vivo e verdadeiro!

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