A geração que cruza METAS!

Sábado passado assisti a um espectáculo de um promissor futuro talento do mundo da comédia.
Nunca tinha ouvido falar do Carlos Coutinho Vilhena (e até sou seguidora de muitos comediantes do género) e não tinha grande ideia do que me esperava ali, mas o Carlos revelou muito potencial desde o ínicio para animar o final da tarde de uma sala quase cheia, de uma forma bastante cativante e engraçada.


Ora então vamos às apresentações: O Carlos tem (ou pelo menos disse ter) 25 anos e durante aquela hora foi-nos entretendo, com um espectáculo que entitulou de Meta, de forma muito inteligente e cheia de paródia sobre a vida dele, ou a vida que ele nos quis contar.


Achei engraçada a postura dele, a forma como encadeou a conversa e ligou os vários momentos uns aos outros. Parte do trabalho de um comediante em eventos de stand-up é isto, contar uma história que se entrelança em várias histórias. Não sei se está a começar, ou a meio da carreira, mas o rapaz tem bastante potencial para seguir um caminho para lá de promissor.

No meio de conversas sobre a infância, o ser feliz para sempre (ou não) da vida adulta, houve ali uma alusão à geração dele, que é uma continuidade da minha de certa forma.
São aparentemente 7 anos geracionais que me separam do Carlos. Em 7 anos aconteceu muita coisa é um facto. Eu sou fruto de uma infância de Navegantes da Lua, aprendi a dançar ao som do "É o bicho" do Iran Costa, vibrei com as Spice Girls e com os Back Street Boys. Eu sou do tempo em que ainda comprava gomas e chupas com escudos ainda, e do tempo em que os meus pais no meio de muitos sacrificios tinham mais tempo para nós e passavam mais tempo em casa.  O Carlos não. O Carlos já é um Revenge os 90s, portanto tudo o que ele se lembra de o ter constituído como pessoa já está próximo da data de um novo milénio (que marco!). O Carlos já cresceu a conhecer os telemóveis, os computadores na casa dele e de todos os amigos, a evolução e a rapidez da internet (sim, no meu tempo chegava a esperar 20 minutos para ter linha). Já para não falar dos livros que se liam, dos filmes que se viam e da evolução geral das coisas mais ou menos comuns.


Somos uma geração de perdidos? Uma geração que vai destruir o mundo? Ou que está a ser destruída pelo mundo? Não, somos um choque sim. Somos uma geração que choca contra o que a sociedade nos impõe e que sobretudo luta por manter e viver nos seus próprios ideais. Somos a geração online. Compramos tudo online, lemos tudo online (por favor nunca me acabem com os livros, que morro nesse dia!!), vivemos cada vez mais a vida de forma individualista e através de um ecrã e partilhamos cada vez menos carinhos e abraços. O sorrisos são só no instagram e as lágrimas já ninguem as vê. 

Mas não se esqueçam nós somos a geração que viu o Trump ser eleito presidente e que viu a violência domética disparar brutalmente, mas que se afirma, afirma tanto.
O Carlos que me desculpe, mas o mundo vai ser nosso, das mulheres. Somos uma geração que tem cada vez mais presença feminina a caminhar ao lado do sucesso em tudo o que é ramo. E que orgulho, não é?

Não somos uma geração de perdidos. Somos uma geração de inovadores.

Obrigada à Associação Crato + pelo seu primeiro evento. Estão de parabéns por fazerem a vossa parte para não deixarmos o Crato morrer. Obrigada ao Carlos pelo entretenimento e a forma como inteligentemente e de forma engraçada nos deixou largar umas gargalhadas e ir para casa preparar o Carnaval com um sorriso estampado no rosto.


Comentários

Unknown disse…
Alentejano é isso... Tão bem posto no papel... Parabéns! Adorei. 🌳🌾🌾🌻🌱

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