Demasiadamente demasiado

Preparo o jantar e ao saborear penso que está delicioso. Irás gostar com toda a certeza. O teu prato preferido será este. E serei sempre a fazê-lo, sempre que quiseres. Seguidamente, após as tarefas domésticas resolvo relaxar, sentar e ler algumas páginas. Leio-te por todo o livro. Todas as tuas curvas, traços, cores. Estás em cada página, em cada linha, em cada palavra. Tenho pena que este livro não tenha imagens. Queria tanto saber ver-te. Imagino-te assim, tal como tu és. Com os teus olhos, os teus cabelos e o teu sorriso. Com todas as tuas marcas, tatuagens, ou piercings. Tudo o que houver em ti. Vejo-te mover por entre as palavras como que à minha procura e escondo-me sempre que viro a página, e tu reapareces. Fecho o livro, está demasidamente cheio de ti.
Saio de casa e vou até à beira-rio. Vejo-te em cada banco do jardim, ao meu lado sempre. Sinto-te ali, por entre as árvores e a relva. E a água balanceia o teu nome para lá e para cá, enrolando-se nele até não se ouvir mais. A calçada chia ao saber-te ali, ao saber os teus passos, ao conhecer o teu movimento, o teu andar. As árvores trazem-te até mim sempre que o Outuno traz mais uma folha até ao chão. E tu continuas a procurar-me. E eu escondo-me em passos largos. Resolvo sair dali. O jardim está demasiadamente cheio de ti.
Sento-me no café e fumo um cigarro. Estás em todas as mesas, em todos os rostos, em todos os gestos. Todas as vozes falam de ti. O chá fala comigo e conta-me histórias sobre ti. Sobre como tens vivido, e também sobrevivido (sem mim). O doce sabor traz-me o teu cheiro, o teu sabor, o teu toque. Os meus lábios já te conhecem mas não te reconhecem. Apenas reclamam por ti. E levanto-te e volto para o carro. O café está demasiadamente cheio de ti.
Já no carro, tu continuas a seguir-me. Estás lá fora, cá dentro, na música em todas as estações da rádio. Cada melodia é um estado teu. Sei-te alegre, triste, resmungão, exuberante e apaixonado. Estás em cada kilómetro, em cada curva, onde desenhas a nossa estrada e plantas a nossa história em cada pedaço do alcatrão. E fujo. As ruas estão demasiadamente cheias de ti.
Volto para casa e volto a pegar no livro. E a ler-te mais uma vez. E sei que estás também a ler o mesmo livro, a ler-me. A conhecer-me em cada palavra, a desenhar-me em cada linha. E que me anseias. E que me respiras. E que me ouves segredar em todos os teus sonhos "sou tua..." Tenho cada canto da casa repleto de ti. Em cada canto, uma história. Todas as histórias, as nossas e as que contaremos um ao outro. Tenho o coração cheio de ti, os lábios a gritar o teu nome a alma a ansiar o teu conforto. E tu estás demasiadamente cheio de mim.
Batem à porta. És tu. Finalmente chegaste.
Saio de casa e vou até à beira-rio. Vejo-te em cada banco do jardim, ao meu lado sempre. Sinto-te ali, por entre as árvores e a relva. E a água balanceia o teu nome para lá e para cá, enrolando-se nele até não se ouvir mais. A calçada chia ao saber-te ali, ao saber os teus passos, ao conhecer o teu movimento, o teu andar. As árvores trazem-te até mim sempre que o Outuno traz mais uma folha até ao chão. E tu continuas a procurar-me. E eu escondo-me em passos largos. Resolvo sair dali. O jardim está demasiadamente cheio de ti.
Sento-me no café e fumo um cigarro. Estás em todas as mesas, em todos os rostos, em todos os gestos. Todas as vozes falam de ti. O chá fala comigo e conta-me histórias sobre ti. Sobre como tens vivido, e também sobrevivido (sem mim). O doce sabor traz-me o teu cheiro, o teu sabor, o teu toque. Os meus lábios já te conhecem mas não te reconhecem. Apenas reclamam por ti. E levanto-te e volto para o carro. O café está demasiadamente cheio de ti.
Já no carro, tu continuas a seguir-me. Estás lá fora, cá dentro, na música em todas as estações da rádio. Cada melodia é um estado teu. Sei-te alegre, triste, resmungão, exuberante e apaixonado. Estás em cada kilómetro, em cada curva, onde desenhas a nossa estrada e plantas a nossa história em cada pedaço do alcatrão. E fujo. As ruas estão demasiadamente cheias de ti.
Volto para casa e volto a pegar no livro. E a ler-te mais uma vez. E sei que estás também a ler o mesmo livro, a ler-me. A conhecer-me em cada palavra, a desenhar-me em cada linha. E que me anseias. E que me respiras. E que me ouves segredar em todos os teus sonhos "sou tua..." Tenho cada canto da casa repleto de ti. Em cada canto, uma história. Todas as histórias, as nossas e as que contaremos um ao outro. Tenho o coração cheio de ti, os lábios a gritar o teu nome a alma a ansiar o teu conforto. E tu estás demasiadamente cheio de mim.
Batem à porta. És tu. Finalmente chegaste.


Comentários
(Muitos Parabéns ...)
"There is more pleasure to building castles in the air than on the ground."
(: