O inimigo de "O Homem Duplicado"
Para fãs incondicionais daquele que o nosso país não soube
abraçar verdadeiramente, José Saramgo, não vejam o filme Enemy baseado na obra “O
Homem Duplicado”. A única coisa que posso concretizar que o filme respeita
relativamente ao livro é o lado obscuro da destruição humana que o livro aborda
( através de uma fotografia de ambientes cinzentos e uma banda sonos tenebrosa
e arrepiante). Acho a analogia da “Tarântola” completamente despropositada e
sem nexo, sobretudo confusa para quem possa não estar contextualizada com o
lado teórico da coisa. É um filme denso e díficil desde a sua banda sonora à
amostra do nível de monotonias de que muitas vidas são feitas, poderá ser
considerado uma “valente seca” para intelectuais menores. Não gosto quando os
filmes alteram os personagens que nós já conhecemos. Gosto ainda menos quando
alteram todo o rumo da história, todo os momentos, e sobretudo quando tornam o “meu”
Saramago banal e inacabado. O filme termina a meio da trama do livro deixando a
sensação de “WTF???” Inadmissível e completamente transtornante. Não gostei,
não tornarei a ver e não aconselho nem a que leu o livro nem a quem não leu. O
final do filme destrói tudo aquilo que o decorrer da trama deixou de aliciante
ao espectador. Não vejam meus caros. Para quem não leu o livro, guardem o tempo
que dedicariam ao filme, e leia-no. Para que não leu e não quer ler, vejam a
telenovela SIC que ficam melhor servidos. Tenho dito.



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