Crónicas de uma recente verdadeira adepta dos que jogam à bola.
É engraçado que o ser adepta é
realmente uma coisa que se ganha com o tempo e com a assiduidade. Nunca assisti
muito convictamente a jogos de futebol. Não sabia os nomes dos jogadores todos
do meu Clube e não entendia muitas das coisas que aconteciam em campo. Achava
que não me dizia nada, que não gostava, que tanto me fazia e que não me trazia
nada de bom. Sempre achei divertido o entusiasmo que as pessoas carregam, o
ficarem totalmente alteradas perante a derrota ou a vitória do seu próprio
clube. Isso divertia-me. Mas nada mais. O mais engraçado nisto tudo é que nunca
compreendi a ira das pessoas quando toca a assuntos futebolísticos. Não
percebia nunca como é que as pessoas se provocam e se irritam umas com as outras
porque um jogador meteu (ou não) uma bola na baliza da equipa adversária.
Comecei a ser mais atenta no Euro
2004 quando o amor pela nossa pátria movimentou massas. Sofria a ver jogos,
efetivamente. Larguei livros de História e de Geografia e de Psicologia de
preparação para os Exames Nacionais para me juntar àquela histeria que se vivia
na minha pequena e humilde terra sempre que a selecção colocava os pés em
campo. E eu vivi intensamente aquela
adrenalina. Mas não passara disso. Os amigos sempre me tentaram provocar com
inúmeras piadas sobre jogos que o Sporting perdia, sobre as imensas trocas de
treinador. Mas eu nunca tinha reacção. Era uma atitude um pouco “não aquece-nem arrefece”. Até ao
momento em que comecei a pisar com maior regularidade o estádio.
O primeiro dia foi um entusiamo
com o ambiente que ali se vivia. Foi bom ter ido com o D. sempre, que (apesar
de os nervos não lhe permitirem ter um diálogo muito elaborado e a atenção não
desviar muito do que se passava em campo) sempre me soube explicar o que ali se
passava. De correcto, incorrecto, a favor ou contra o nosso clube. Já vi
empates no estádio. Já vi vários jogos em que perdemos e vários em que
ganhámos. Já vi performances completamente entediantes que me dava vontade de
lhes atirar pedras a cada segundo. Já senti a ira e já senti a alegria imensa.
Saltei no colo do D. variadas vezes e já agarrei na mão dele de tantos nervos
que sentia. Consigo já identificar os jogadores em campo, consigo perceber o
que faz falta e o que está a correr bem ou mal.
Depois do jogo de ontem foi a
primeira vez que me senti irritada com um derby. E não, não perdemos. Foi um
empate injusto fruto de um puro golpe de sorte, mas foi sorte do Benfica, como
poderia ter sido sorte nossa esse golo de último minuto não acontecer. Sinto-me
irritada porque a maioria dos adeptos benfiquistas acha efetivamente que
ficámos com melão. Obviamente como qualquer clube faria (mesmo o Benfica)
fizémos a festa antes do tempo, pois ninguém adivinhava aquele golo. Já
aconteceram situações semelhantes ao Benfica, mas quando é para provocar a
memória é sempre curta. Fico irritada
por isso. Empatámos e então? Melão era termos perdido, isso sim. Mas não
perdemos. O Benfica continuou à nossa frente, com uns pontos a mais. Tudo na
mesma. Jogámos para ganhar e não para empatar, mas azares de último minuto
acontecem. Como aconteceram. Melão? Não. Não perdemos nada. Fomos os melhores
em campo e isso para nós já foi um grande tudo.
Resumo de crónica: Sou finalmente
uma verdadeira adepta Sportinguista, com tudo o que isso acarreta!



Comentários