Variações "é cá da terra e tem muito encanto"
Fui ver o Variações com a C. na passada quarta-feira às Amoreiras. Sala perfeita, antiga e com alguma história para ver aquele que considero ter sido o melhor filme português que vi nos últimos tempos. Que prazer que me deu e um orgulho de querer bater as palmas a esta produção do João Maia e sobretudo à interpretação do Sérgio Praia. Mas que foi isto? Que monstro em cena, que detalhe, que voz. Não podia ter saído mais feliz e mais surpreendida (agradavelmente, claro!) daquela sala de cinema. Andei 3 dias com as músicas na minha cabeça, e quis mais do que ouvir o original, ouvir o Sérgio Praia (Variações) e saber mais sobre o filme e sobre a forma como é que ele alcançou este tremendo sucesso de personagem.
O Variações toda a gente sabe que era barbeiro, que era homossexual e que era um homem demasiado excêntrico para o seu tempo (diria até que em muitos locais ainda seria excêntrico hoje) e que isso era refletido nas músicas que cantava e que ainda hoje passam na rádio, nas vozes e largam sorrisos e passos de dança a tantas gerações. O que não sabiam era tudo o que o filme nos mostrou, tanto do António e como surgiu o Variações. Epa e que maravilha foi esta? Senti-me brutalmente identificada com ele na sua ligação às origens. Uma terra pequena, humilde, e com tradições e celebrações que sempre o acompanharam pela vida fora (seja na infância ou na memória da vida adulta). Que força da natureza este António (ou o Toninho de sua mãe), que audácia em perseguir os sonhos e não se forçar a adaptar-se a nada mas levar tudo a adaptar-se a ele. E não é que conseguiu?
Foram precisos 12 anos (ainda que interrompidos várias vezes) para fazer sair esta obra prima de caracterização. 12 anos entre tempos perdidos, tempos de pesquisa, de entrevistas, de conversas e de, sobretudo, muita persistência. 12 anos para fazer nascer de novo o António, o nosso Variações. Aquele homem certinho e louco ao mesmo tempo. Que não bebia nem fumava, mas que tinha um vício animalesco em cumprir e atingir os seus objectivos e sonhos. Era um homem português, e mais um que foi tão maltratado por nós durante tanto tempo. Emigrou e regressou para realizar o seu sonho e voltar à terra onde poderia idolatrar sem limites a grande Amália Rodrigues, para então "morrer descansado".
Quem quer conhecer mais o Variações é ouvir as músicas dele que "têm mais dele do que existe nele próprio", assim nos explica e nos mostra de forma tão clara o filme. O Sérgio Praia fez uma coisa fabulosa, e trazer-nos de volta o Variações é um feito incrível. Foi um prazer conhecer melhor o Variações através de ti, Sérgio. Obrigada. Mil vezes obrigada!



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