Desconfinemos irmãos
Está a aproximar-se o primeiro mês desde que cá por casa iniciámos o desconfinamento.
Foram alguns dias a preparar isto. A pensar na forma mais segura de o fazer, do que ter que evitar a todo o custo e naquilo que podemos não estar tão preocupados ou até mais relaxados. Foram dias de discussões sobre a forma mais sensata de o fazer.
Para já, só queria sair das quatro paredes e ver a família. Antecipei este momento mentalmente repetidas vezes na minha cabeça e dormia e acordava invadida por este desejo.
A viagem até à nossa terra-do-coração fez-se em ansiedade e as lágrimas escorreram sem controlo assim que o carro assentou as rodas na entrada do Crato. Estava em casa. Estava no meio dos meus. Finalmente. Claramente no Alentejo sente-se e vive-se este problema de forma menos sufocada. Não poderiamos ter escolhido melhor destino para iniciarmos o que viria a ser o tão mais recente e aclamado ritual: o Desconfinamento.
E foi apenas o começo meus amigos. É verdade. A Emejei tirou pé de casa e pronto, o Alentejo é agora (ainda mais, porque na verdade sempre o foi) a maior fonte de energia e saúde que temos tido para continuar nesta luta/combate contra este maldito vírus. Estou mais despreocupada? Estou. Estou com menos cuidados? Não. Apenas já não estou obcecada, e claro, estou a aprender a viver com esta nova realidade.
Vamos fazer o quê minha gente? Evitar o Covid-19 a todo o custo para não morrermos, e acabamos por morrer de falta de afeto, amor e sobretudo de saudade?
Esqueçam. Somos humanos, somos seres sociais. Não fomos feitos para estar infinitamente presos entre quatro paredes e a viver em permanente incerteza e ansiedade. Acabamos por não morrer do mal, mas morrer da cura.
Desconfinemos, irmãos.
Corram para dar um mergulho no mar. É possível fazê-lo de forma segura e vai dar-vos energia para mais um par de dias. Visitem um dos vossos restaurantes de eleição (garantam que cumprem as medidas necessárias) e matem saudades daquele prato que adoram e que nunca quiseram fazer em casa, porque, lá está, ou não sabe ao mesmo ou não é a mesma coisa. Invadam as pequenas mercerias: correm menos riscos e ajudam quem já corre outro tipo de riscos há tanto tempo. Tratem de vocês e retomem as consultas que vos são necessárias. Marquem férias em Portugal. Vão para as vossas casas no campo, na praia, vão mudar de ares e ganhar um pouco de vida.
O confinamento matou-nos um pouco, mas somos sobreviventes. Somos sobretudo seres que precisam uns dos outros, por isso não se abandonem agora. Sejam fortes, permaneçam seguros e sobretudo protegidos, mas arrisquem. Arrisquem retomar este chamado novo-normal. Arrisquem ter alguma vida de volta. Arrisquem voltar a sentir-se vocês. Arrisquem alguma liberdade. Há tanta forma de o fazer. Sejam originais.
Por cá? Planeia-se um fim de semana de refúgio. Refúgio para longe de tudo o que já nos foi tirado e para perto do que nos aquece o coração.
Desconfinemos, irmãos.




Comentários