Toscana: Roteiro para te deixares "Ser"
É verdade meus caros leitores e amigos das redes sociais, a Emejei andou a nutrir-se (literalmente ahahaha) do muito que a "piu bella" Itália tem para oferecer. Vocês pediram para que vos falasse desta viagem e do que por lá vivi, e eu não quero de todo dar-vos um roteiro do que é imperdível (porque na realidade é quase tudo) e do que há para visitar e conhecer. O doutor Google e toda uma panóplia de tantos bloggers (muitos deles ótimos por sinal e de fazer inveja - da boa - a qualquer um) já vos apresentam roteiros de perder de vista. E claro, não esquecer a tão aclamada Inteligência Artificial, em que usando o ChatGPT se conseguem roteiros super bem organizados em coisa de 2 minutos.
Quero falar-vos apenas do que aqueles dias fizeram por mim, por nós. Foi uma viagem a dois e cá em casa nós somos efetivamente os chamados parceiros no crime. Somos uns lamechas (mais eu, obviamente) e como tal, aquela região da Itália é um deslumbre a nível romântico. Somos grandes e alinhados companheiros de viagem e para ambos o mais importante em qualquer destino é comer e beber bem! Puxamos um pelo outro, e não há nada que fique por ver, por fazer. Fazemos cada segundo valer a pena!
Foram 6 dias, 5 noites. Começámos onde acabámos - em Bolonha, que foi uma agradável supresa e ótima para uma estadia e visita rápida, aproveitámos cada canto de Florença e ainda conseguimos dar um salto a Pisa, San Giminiano e Siena. No meio disto, houve tempo para tudo. Prioridades bem definidas claro: vinho, carne, massas e pizzas! Os museus ficaram para o fim e deixámos uma média de 18Km por dia nas pernas, porque para nós é tudo perto e tudo se faz bem a pé. Mas não é sobre o que vimos e visitámos, e o quanto andámos, ou sequer as iguarias que comemos (que valem tanto a pena!) que vos quero contar. Quero partilhar com vocês o que senti nesses dias.
Foram 5 noites, algumas em camas não tão boas e em que sentia que o corpo pedia mais descanso do que aquele que estava a receber, mas foram 6 dias de acordares relaxados. De planos sem grandes compromissos ou grandes horários. Foram dias longe de nós próprios e da nossa vida profissional e pessoal. Longe da rotina, dos horários estabelecidos, dos afazeres que não podem falhar. De horas intermináveis num restaurante perfeito, de decidir parar quando me apetecer e recomeçar no mesmo registo. De não ter regras, de não ter obrigações que não o cumprimento do horário de uma reserva ou de um voo. Horas sem fim de contemplação em que a única coisa que nos preocupou foi aproveitarmo-nos um ao outro num dos lugares mais especiais onde estivémos.
Foram 6 dias e 5 noites em que se reforçam as certezas que já conhecemos e em que podemos efetivamente ter tempo para usufruir delas. Em que (re)descobrimos os prazeres da partilha sem tempo limite e da contemplação de algo que é novo aos nossos olhos. Foram férias a saber efetivamente a férias, em que riscámos mais uns lugares no mapa mas que acrescentámos tanto no coração. Em Itália, na Toscana há magia, há música no ar mesmo quando só nós é que a ouvimos. Há arco-íris que só nós vimos. Há palácios, museus, monumentos e recantos deliciosos para nos perdermos de nós mas nunca entre nós. Há tanto e tanta coisa mais.
Na Toscana, para mim, não foi preciso muito tempo para sermos tanto. Bastaram 6 dias e 5 noites.
E para ti, quantos dias são precisos para te deixares Ser?



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