Gritar as Origens

Apaixono-me todos os dias por uma verdade com que sonho sempre. Enrolo-me numa dança e numa quebra-dança que parece não ter fim e grito. Grito. Não sei se choro, se rio. Se paro se prossigo. Envolvo-me nos meus próprios braços e descanso. Vejo sorrisos e olhares cúmplices de gentes minhas. Corro pelos campos que são tão meus e sinto o intenso perfume das flores mais selvagens que ali existem. Nas paredes de todas as ruas há histórias de momentos meus, e nossos. E ali somos sempre impulsivos. Ali o impulso é o sangue que nos corre nas veis. Somos sempre nós na mais pura forma. Nós em forma completa e colectiva.
Todos os sentires percorrem-me agora o corpo, enquanto continuo ali, ao vosso lado, a cerrar os olhos no imenso azul que nos inunda a alma todos os dias.
Surge em mim, de repente, o pensamento de que sou demasiadamente viciada nas minhas origens. "Vicio saudável"- penso.
Aconchego-me no silêncio que nos rodeia e entre os restantes rostos e acaricio as mãos que me amparam tantas e tantas vezes. Grito[amos] novamente, eu e vocês. E olhamo-nos e soltamos gargalhadas que se perdem naquela imensidão que é tão minha, tão vossa e tão nossa.
E aqui sabemos que somos felizes. Não somos?


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