voo azul-laranja-amarelado


Não posso ter medo. Está tudo bem. Vai correr tudo bem. Calma... 1,2,3,4,5,6,7,8,9... 10... (pensava). Por algum motivo achou que o facto de estar perto da janela a acalmava, talvez por pensar que seria o único contacto que tinha com o mundo lá fora. Como é suposto, para se preparar para levantar voo, apertou o sinto e ouviu atentamente as instruções que os hospedeiros de bordo davam. Estava nervosa. Sentia cada poro seu a falar com todo o seu corpo. Sentia suores quentes e frios que iam e vinham e se enrolavam na sua respoiração ofegante que temia em acompanhr o tremer das suas pernas. Ouve com atenção. Sem pânico. Calma. Está tudo bem. Vais chegar bem.
Insititiu que o seu medo pelos aviões jamais seria um impedimento para conhecer o mundo.. Conheceu tanto de carro, mas chegara a hora de entrar num outro universo e isso exigia o tão temido.. avião.
Enquanto insistia em permanecer com os pensamentos de auto-ajuda na sua cabeça, porque acreditava nas suas próprias palavras, ia através da janela vendo a pista desaparecer. Chegara a hora: em minutos passou a ver a pista por inteiro, depois o aeroporto, depois alguns prédios em redor, os carros e depressa a sua cidade por inteiro, e os carros (como se fossem de brincar). Por minutos deixou-se encantar por aquela maravilhosa imagem da sua cidade, como se fosse um puzzle, uma cidade para os pequeninos. E subitamente lembrou-se que poderia não pisar aquele chão de novo. O pânico resolveu reaparecer, e os suores, e os tremores, e os receios, e a respiração nervosa e ofegante, e as palpitações que agora aumentavam em fracções de segundos.. E subitamente avistou algo maravilhoso.. as nuvens! Ficou fascinada com a possível textura que elas aparentavam ter, fofas, macias. Apetecia-lhe saltar para lá..tal como uma criança pula em cima da cama dos pais, e salta ,e rebola, como se não houvesse amanhã.
O céu tinha vários tons de laranja e azul e amarelo. Tinha um ar de mistério, e as nuvens não terminavam.. E ela envolvia-se nas várias tonalidades e deixava que a sua mente viajasse agora para uma realidade mais antiga. E lembrava-se de como gostava de brincar com a sua irmã, de como gargalhavam tardes inteiras até perder o fôlego. Ela tinha a certeza que ali, saltitariam de nuvem para nuvem, e que nunca chegariam a estado de exaustão. Lembrava-se que como gostavam de uma boa luta de almofadas.. e as penas iriam sobrevoar todo aquele cenário divinal e cair em cada nuvem que a rodeava. E tudo seria branco, e azul, com laranjas e amarelos raiados.

Chegara ao destino. Estava feliz e tranquila. O corpo havia atingido uma temperatura regular, as pernas estavam seguras e respondiam aos comandos do cérebro, os batimentos haviam estabilizado, a respiração estava pausada, e os receios eram agora sonhos e recordações da paz que sempre teve. E tinha agora. Estava em paz, em terreno novo, pronta para voar por lá, só mais um bocadinho.

Comentários

Anónimo disse…
Uma grande ajuda para combater um medo que é frequente na maioria dos passageiros :) quando estiver assim nervosa por qualquer situação irei sempre lembrar e olhar para as nuvens e especialmente para as cores: azul, laranja e amarelo :) *** Mel

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