Alentejanices da Emejei: As tradições
Já vos falei do que é ser alentejano, mas não vos falei nunca do que é ser alentejano no meio dos meus. No que é sermos alentejanos todos juntos, todos com a mesma garra e todos com o mesmo amor.
Já vos falei de como é ser alentejano, mas não vos falei de quem é alentejano comigo, do que fazemos, do que nunca se perde entre nós.
As palavras são diminutas e não há gestos que cheguem para esta imensidão que sentimos uns pelos outros, pela nossa terra, pelos nossos corações e sobretudo pelas nossas tradições.
Das imensas tradições que ainda existem ou das que se foram perdendo, as Festas em honra ao São Gregório foi algo que foi perdendo ritmo e paixão ao longo dos anos, e que deixou de ser vivido intensamente pelos cratenses. São festas sempre comemoradas na altura da Páscoa, sendo que no feriado municipal (Segunda-feira após o Domingo de Páscoa) era o dia que todos esperavam para a tradicional favada no campo, na antiga ermida do São Gregório. Não houve chuva ou neblina que impedisse este dia e se o sol aparecesse era uma benção para aquele que era um dos melhores dias do ano.
Em 2016 o nosso grupo resolveu assumir as rédeas da organização destas festas. Não falando no trabalho imenso antes das festas começarem e do trabalho durante as mesmas, das horas imensas em pé e acordados, da agitação e das muitas horas que ficámos a dever à cama, o que nos fez feliz de verdade foi ver a nossa tradição voltar a ter vida. Casa cheia, pessoas com sorrisos estampados, os elogios ao evento, à decoração, às iniciativas e à comida. Enchemos o peito de orgulho e relembrámos que o fizémos de nós para todos, por todos, e para que estas festas, estas tradições tão nossas não tenham fim.
Eramos 30 macacos atrás dos balcões, ou na grelha, ou ao lume, a servir mesas ou a limpar. Eramos 30 e não houve uma discussão. Houve imprevistos (mil), mas o que houve em grande escala foi amizade e dedicação. Não foi esforço e dedicação, não. Ou pelo menos não tanto. Ninguém ali o fez com esforço, toda a gente o fez com o devido amor, o devido carinho. Foi só mais uma prova da imensa amizade que nos une e que une a nossa gente à nossa terra. Haverá amor maior que este? Este amor que contempla a família, os amigos, a terra que nos vê crescer e nos ensinou a ser feliz? Não, não me digam que há, porque eu simplesmente não acredito.
Chegou 2016 para nos fazer sentir isto? Não. Voltámos em 2019 para reavivar a memória de todos os que se tinham esquecido que sim é possível termos umas festas a valer, com casa cheia, com tradição, com arte local, com brincadeiras para os mais miúdos e para os mais graúdos, com representação nos eventos religiosos da semana santa também. Foi mais um ano, mais um momento como tantos de celebração, de sorrisos que nos dizem o quanto valemos juntos e o quanto conseguimos fazer juntos. Pertencer à Comissão de Festas por dois anos foi um prazer nosso mas sobretudo mais uma vez a prova de que tudo o que fizémos foi de coração, com o coração e para encher corações.
E não, não deixemos morrer a tradição da terra e das amizades, pode ser? :)







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