Emejei contra o Covid-19: dia 8



Conforme prometido, e a pedido da maioria,  venho partilhar como têm sido os últimos dias aqui por terras Atalaienses.
Ao contrário da maioria dos Portugueses que iniciaram a dita quarentena na passada Sexta-Feira, aqui por estes lados já vamos no oitavo dia.
Em 8 dias é fácil de perceber muita coisa e de muita coisa mudar também. Fritas a pipoca, ganhas coragem, fritas de novo. Conseguem imaginar, não é? Ora vejamos:

O que de pior viveu a Emejei até ao dia de hoje?
A tranquilidade da precaução (porque estava a fazer quarentena apenas por prevenção por ter estado em aeroportos) tornou-se mais uma exigência em prol da "sobrevivência" e isso causou medo. E o medo causou incerteza e dúvida.
Tenho saudades (mais ainda) de quem está longe. Tenho saudades da minha mãe e do meu pai e aflige-me saber que não sei quando é que vou estar com eles, ou a estar, saber quando é que vou poder abraçá-los e dizer "Já passou." Tenho vontade de ligar a toda a gente e saber que estão bem, mas neste momento, vamos aguentando em alto mar, cada um no seu barquinho.
Têm sido dias com alguma dificuldade de concentração em prol do trabalho que é preciso ser feito. Há demasiada informação, demasiado pânico e alarmismo a nascer dentro de mim, sobretudo ao perceber que no nosso país persistem os ignorantes e aqueles que pensam que os males só batem à porta do vizinho do lado.

E em casa, em família como é?
A Emejei não pensou em tudo, mas pensou em muita coisa.
Parte de vivermos na margem sul, perto de zonas descampadas e limpas de gente proporcionou bons momentos a 3: desde piqueniques, a jogos familiares e a dar (finalmente) uso a brinquedos de rua que ainda não tinham sido estreados por falta de "oportunidade". Aproveitar o campo e o que nos dá de alimento também foi uma atividade bem gira! Apanhar espargos e cozinhá-los foi um dos planos mais felizes deste fim de semana.
Há que ver este desafio como uma oportunidade de reforçar os laços em família e de acarinhar e dar força aos que estão ao nosso lado.
Joguei ao Uno mais vezes nos últimos 4 dias do que nos últimos 10 anos. Fiz pela primeira vez (sim, pela primeira vez!!) um bolo na vida e obviamente que correu mal e foi motivo de gargalhada para mais de meia hora. Cozinhou-se consoante os desejos e o que havia no frigorífico e a três.
Incute-se no mais pequeno os valores dos cuidados necessários mas ainda mais da solidariedade com exemplos vivos. Há que provar ao mundo e às crianças que fora os milhares de egoístas que há por aí espalhados, há muita gente que ainda se preocupa e que tem a cabeça no lugar.

Trabalhar em casa? Como é que isso acontece?
Ora monta-se o escritório e a coisa dá-se. 
Fazem-se as pausas necessárias, as assistências que assim o requerem e aproveitamos a oportunidade de o poder fazer para ocupar o tempo e fazer com que a rotina cresça e se torne algo mais "normal". É fácil manter o pijaminha vestido, mas por aqui há a rotina de o despir ao fim do dia para uma corrida ou um exercício ou então logo cedinho para parecer um dia de trabalho mais "normal".

E tempo para nós?
Ai filhos... esqueçam, há muito pouco. Podes ir levar o lixo, podes ir correr durante meia hora, 1 hora (se encontrares um sítio sem gente para o fazer e se o clima o permitir). Há ideias para momentos de silêncio em que cada um procura uma atividade para fazer sozinho, dentro de casa. Aguarda-se aprovação familiar. :) Mais detalhes sobre isto certamente no próximo update.

E nisto tudo, como é que nos mantemos emocional e fisicamente sáudaveis?
Em 8 dias já fiz várias video-chamadas, sendo que algumas demoraram mais de 3h. Já vi concertos online (obrigada Salvador Sobral) em conjunto com amigas, e já combinei horas para fazer o exercicio do dia. Já entrei em stress e já discuti para caraças, mas o conforto do abraço faz com que a força seja logo o pensamento seguinte. Já pensei no pior diversas vezes, no medo que tenho por mim e sobretudo pelos que me são próximos e há sempre alguém que tem uma ideia ou uma forma de ajudar (nunca antes falámos tanto em grupos de Whatsapp, facebook etc...) Há que nos obrigarmos a manter uma rotina, a pensar no imprevisto também, e manter as ideias e o foco na solução. Ah e claro, é importante não deixar o vinho acabar! Tudo se resolve após um ou dois copos de vinho!!!

Por aqui hoje foi um dia menos fácil. 8 dias já servem para que haja muito conflito interior e muito medo a tentar vencer. Mas, vamos terminar o dia de trabalho, fazer exercício por mais de 30 minutos, preparar o dia de amanhã e claro, sentar no sofá e ver aquela série que há duas semanas atrás não víamos por falta de tempo.

E por aí, como é que estão a correr os vossos dias?



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