Emejei contra o Covid-19: dia 31


Ora a modos que contamos já  com 31 dias de vida em casal ou a três em quarentena.
Vamos às contagens e contabilizações da ausência do normal neste último mês:
  • Usei zero vezes perfume, maquilhagem, brincos, relógio ou qualquer traquitana associada;
  • Usei dois tipos de calçado apenas: Tennis desportivos e pantufas. Larguei os botins, botas, sapatos ou tennis mais fancy;
  • Fiz zero combinações de roupa. Usei o que veio à calha e a roupa mais usada foi leggings e camisolões largos e os tão amados pijamas;
  • Fiz uma exfoliação, que não fazia tipo há 8 meses, uma máscara facial e uma espécie de banho de imersão;
  • Fiz mais limpezas este último mês no do que no último ano e meio (saudades da nossa dona Paula!). Já não vejo tachos e panelas à frente e começo a achar que estou tão próxima da máquina de lavar loiça, que está prestes a tornar-se a minha melhor amiga.
  • Vimos 3 temporadas do The Crown, a última temporada do Ozark e demos conta também da Casa de Papel em poucos dias;
  • Fiz uma média de 4 dias de exercicio por semana (feito nunca antes concretizado na vida desta humilde alentejana)
  • E o maior marcador de pontos: ZERO crises de sinusite! Vocês têm noção do alivio? Sem dores de cabeça, tonturas, peso maxilar ou nasal... Epa, quarentena... Já ganhaste!
Momentos altos:
  • Primeiro momento de leitura, em sossego, esparramada no sofá, num dia de chuva. Opa, que coisa boa!
  • Dar finalmente uso à minha bicicleta pasteleira  que apodrecia na arrecadação. 5Km e 25 minutos de passeio, silêncio e o sol a bater na cara. Nunca uma volta de bicicleta me soube tão bem na vida. Depois desta primeira volta, foi sempre a somar! :)
  • Ouvir uma tarde inteira toda a discogradia dos Queen. Foi há tantos anos e parece sempre tão intemporal não é? 
Momentos baixos:
  • A chuva e os dias cinzentos têm tido efeitos negativos nos humores. O ar torna-se mais pesado e os dias são mais penosos. A quarentena parece ter um efeito ainda mais nocivo. E claro, não nos esqueçamos, um mês inteirinho nesta situação já faz algum estrago.
  • Modo bichinho ativado: Sobrancelhas enormes, unhas de gel partidas e a mandar aquele toque de manicure francesa. Uma tristeza para uma lady. Tive de tratar do assunto, obviamente.
  • O tempo não me chega. Não entendo como é que há malta que em teletrabalho se aborrece. Aborrecer? Caros... não tenho sequer tempo para isso. Trabalha-se mais, existem as milhentas falhas de internet nos momentos menos oportunos. Levamos o tempo a cozinhar e a pensar no que cozinhar no dia seguinte, ou a ver o que falta para garantir que as coisas nao acabam, ou que podemos facilmente antever o que não queremos que acabe. Loiça sem fim para colocar na máquina, para arrumar (pelo meio parte-se umas quantas coisas). 
Passado um mês posso dizer-vos que sortudos que somos quando em alturas normais da vida não temos que nos preocupar se falta cebola para o refogado, porque podemos ir buscar a qualquer altura do dia, ou até uma por dia se quisermos. Somos uns sortudos com o campo e a praia já ali ao nosso lado, e mais dias de sol do que de chuva por ano. 
Passado um mês dou um valor desmedido ao sushi que me entregaram duas vezes em casa e a todas as vezes que pude sentir o sol bater-me na cara e o vento passar-me por entre os fios dos cabelos. Passado um mês as saudades apertam cada vez mais e a angústia também. Há mais dias dificeis do que fáceis, mas a malta faz um esforço, respira fundo e agradece por mais um dia com sáude. 

Mantenham-se protegidos, cautelosos e sobretudo a olharem uns pelos outros (ainda que tenha que ser à distância). 
Estamos juntos. No primeiro dia, passado um mês, e todos os próximos dias que venham daí!

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