20 anos de Beleza Americana - Já???
What? 20 anos de Beleza Americana? Já? Can´t be. Era uma miúda. Eramos umas miúdas.
Era apenas uma miúda de 12 anos ( a esperar ansiosamente pelos 13) que sonhava com Hollywood, idolatrava actrizes como a Annette Bening (porque são lindas, talentosas, com sorrisos maravilhosos e aparetemente demasiadamente felizes) e achava que um dia teria tudo aquilo para ela.
Ver a Beleza Americana em plena vila do Crato foi um fenómeno. A sala esgotou. Toda a gente queria ver o grande nomeado para os Oscares 2000 (apesar do filme ter sido lançado em Setembro de 1999). Foi um "WTF?" filme para 98% das pessoas que estavam na sala, "Mind blowing" para 1% e depois estava ali 1% de pessoas (EU!!!) que não sabia exatamente o que pensar, sentir, acreditar ou sequer retirar como moral da história.
No Crato, por esta altura, as noites de cinema aconteciam ao fim de semana e o mesmo filme passava Sábado e Domingo. Óbvio que Domingo lá estava eu novamente (juntamente com as minhas besties) com a certeza "é desta que eu vou perceber o filme todo".
Não, não foi. Serviu certamente para ficar ainda com mais dúvidas porque a atenção era agora em dobro para os pormenores que me haviam deixado a pensar que "porra" seria aquilo, na noite anterior.
Foi bom. 12 anos, dois serões fora de casa, noites quentes de Verão tardio (se a memória não me falha) e lá está, uma cena super marada para contar no futuro e rir à farta nas próximas semanas.
Poderia ter sido isto tudo. Poderia, mas não foi.
Andei semanas a pesquisar sobre o filme, a ler críticas ao mesmo, a rever o que conseguia na pouca internet que conseguia com tardes intensas na biblioteca municipal. A minha mãe dava-me recortes das revistas dos actores, eu procurava outros tantos.
Era demais? O filme falava de trabalho, da mudança, da vida. Uma familia aparentemente normal, depois cheia de problemas. O filme afinal era apenas um olhar muito mais profundo sobre aquilo que vemos todos os dias ao nosso lado. E o quanto isso me atrofiou? Jesus...
Foquei-me na alta performance dos actores, o Kevin (sim, era um dos meus preferidos até pronto... tudo aquilo que já sabemos e que 20 anos mudaram) e a Annette. Mas não, aquela cena do saco a voar ainda me deixava meio perdida. Eram apenas homens, maridos, mulheres, esposas, miúdos e miudas que eram filhos e filhas, e quanto mais o filme mostrava, mais descortinava tudo o que se passava ao nosso lado, tudo o que é normal e que toda a gente vê, mas sobretudo tudo o que não vemos e fugimos a 7 pés de querer ver. O filme é um grande "Look Closer", um olhar mais próximo ao outro. Ao vizinho do lado, à nossa mãe, ao nosso pai, ao nosso melhor amigo.
Continua a ser um dos meus filmes preferidos de sempre. E já se passaram 20 anos. E esta, heim?


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